terça-feira, 10 de novembro de 2009
Contra todos os muros
Coke is it!
Piromaníacos
Choro e ranger de dentes
domingo, 8 de novembro de 2009
Um zoom na devastação
Raposas em ação
sábado, 7 de novembro de 2009
O que está ruim pode sempre piorar
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
A velha face do terror
Um mar que está sempre para peixe
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Crime de Estado
No princípio
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
A presença que fica
Das entranhas da mãe África
Ao som dos tambores
Verequete é nosso Rei
“O galo cantou, me deu alegria
O galo cantou, é sinal que vem o dia
O galo cantou no romper da aurora
O galo cantou e o Verequete vai embora”
Se é correto falar de imaginário amazônico, desde o ponto de vista de seu próprio povo, Verequete é, sem sombras de dúvidas, uma de suas sínteses mais belas e originais. Sua genialidade, expressada na força rítmico-melódica e na inventiva poética de suas composições, traduz uma postura filosófica, uma concepção e percepção de mundo, ao mesmo tempo amazônica e universal, simples e profunda como o mergulho de quem, empanemado de paixão, decide ir morar com “a sereia no fundo do mar”.
Augusto Gomes Rodrigues, ou melhor, Mestre Verequete, esse um que sabe “como é bom pescar na beira do mar em noite de luar”; esse caboclo cuja casinha “é tacada de taboca na beira de um riacho, coberta de pororoca” no bairro do Jurunas; esse mano velho que tão facilmente retira do coração u’a mágoa como se tirasse a flor e o limão da rama do limoeiro; esse é o mestre humilde e fraterno, consciente do valor de sua obra e do seu significado transformador da vida do povo.
Rei, comandante da coluna, Verequete faz rufar os tambores, organiza o terreiro para a luta, em outras palavras, para a dança do carimbo do Pará – remédio milagroso para quem, mordido pela cobra venenosa, sonha com um futuro digno.
Agora, quando o mestre descansa “de baixo de uma palmeira onde canta o sabiá”, continuamos ouvindo sua voz imortal de uirapuru, para orgulho da música universal produzida em Belém, esse pedaço de chão vermelho cabano do Brasil.
Edmilson Brito Rodrigues
Professor e Arquiteto